11 de Julho de 2009

Brasil

Valentia, hein!?

Ivan Valente criticou Luciana Genro: "É uma atitude desqualificada de alguém que mente de forma despudorada para patrocinar luta interna".
Nunca imaginei que veria o tal valente criticar alguém por "patrocinar luta interna". É muita covardia de quem conhece intimamente tais patrocínios.

Brasil

O blog da midia

Luis Nassif fez um boa e prliminar analise sobre o comportamento da midia nas crises politicas: em foco a midia; na periferia, o Senado. Nassif tem mais a dizer, mas o que disse ja vale a leitura.

Sarney é Sarney desde que entrou na política. O que armou e aprontou depois de deixar a presidência é de conhecimento amplo da mídia e estava ao alcance desde as primeiras aventuras, ainda mais se tratando de um ex-presidente - o que justificaria o interesse jornalístico.

Nada se fez durante vinte anos. Permitiram-se abusos no Amapá, no Maranhão, permitiram que sua influência abatesse governadores eleitos, derrubados por motivos menores. Os ecos de suas aventuras rodavam todas as redações, desde as estripulias de Jorge Murad e Saulo Ramos, no seu governo, à ligação permanente com Edemar Cid Ferreira ou o escândalo da Cemar.

Mesmo assim, durante décadas mereceu todo o cuidado por parte da imprensa, e um carinho e proteção especial da Folha. O Otavinho sabe a razão.

Mundo

Honduras

A crise em Honduras eh grave e encerra a um grave exemplo para o continente. A vitoria de Micheletti eh a condenacao do povo hondurenho ao isolamento. A volta de Zelaya, por outro lado, deve gerar, ato continuo, a convocacao de novas eleicoes e o restabelecimento da ordem constitucional pregressa.
Essa solucao, porem, nao eh simples. Estariam os dois lados dispostos a renunciar a denuncia do outro lado a justica? Como aceitar que o outro lado esteja no poder sen tener pela prisao?
Abaixo, um trecho de um artigo publicado em elperiodico.com que me foi enviado pelo amigo e professor Juan Luis Paniagua.
la aceptación internacional que ellos esperaban (por su supuesta similitud con Venezuela) no se ha producido, y la situación económica, política y social empeora en Honduras cada día que pasa bajo un régimen que no es reconocido por ningún país.
Pese a los deseos de algunos de sus seguidores, el nuevo régimen espúreo no cayó en la tentación de detener a Zelaya, lo que le obligaría a tener que juzgarlo ante las cámaras y la atención internacional.
El relator de la las Naciones Unidas sobre la independencia de jueces y abogados, Leandro Despouy, criticó ayer el comportamiento del Congreso hondureño y censuró la actuación del Tribunal Supremo del país. Despouy pidió a los magistrados de esa instancia que «adecúen su comportamiento» a los principios de la democracia.

(escrevo de um computador com teclado sem configuracao adequada. Nao tenho til, acentos, cedilhas e inteligencias adicionais. Perdoem-me.)

8 de Julho de 2009

Brasil

Viajar por que?

por Eduardo Guimarães, no Cidadania

A imprensa nacional noticiou timidamente a viagem que o presidente Lula ora empreende a Paris. A maioria dos meios de comunicação disse que ele viajaria “a descanso”. O real motivo dessa viagem não gerou manchete ou qualquer outra cobertura nos grandes jornais, nas tevês ou nos portais de internet corporativos.

5 de Julho de 2009

Natural

Banho de balde

Pra muita gente a educação de filhos guarda poucos segredos e muita coragem. Para esses, paternidade e maternidade é a experiência do padecimento obrigatório em da inevitável percepção do paraíso.
Eu não sei nada de padecimentos e paraísos. Sou novo nesse ofício de embalar os sonhos do mundo na forma de um deus-menino.
Bem, chega de "embromation". Estou falando isso por ter sido cobrado por uma amigo de não ter posto aqui no blog muitos comentários sobre a chegada do Théo e a experiência deliciosa (e sonolenta) que temos vivido com ele.
Como sabem os amigos, temos optado por combinar simplicidade e alegria.
Na última terça-feira, dia 30, o programa Mais Você, da TV Globo, exibiu uma reportagem sobre banhos de balde em bebês. É tudo muito simples, o mais natural possível.
Estou comentando isso aqui porque a Erika e o Théo foram duas das várias estrelas dessa matéria. Se quiser saber um pouco mais, clique aqui.

O blog

Este blog tem estado silencioso nos últimos tempos. A vinda pra ANCINE tem me obrigado a repensar a linha editorial.
Na próxima semana, novidades no ar.

21 de Junho de 2009

ANCINE

Discurso de posse

Na última sexta, dia 19, tomaram posse os novos diretores da Agência Nacional do Cinema. Eu tive a oportunidade de, em meu discurso, agradecer os amigos e me apresentar ao setor.
Abaixo, a íntegra do meu discurso.

Senhor Ministro da Cultura Juca Ferreira, meus companheiros de diretoria colegiada, Manoel Rangel, Mario Diamante, Paulo Alcoforado; demais componentes da mesa; senhores e senhoras produtores, distribuidores, exibidores, atores e técnicos do cinema brasileiro; servidores e servidoras da ANCINE; meus amigos, meus familiares a todos vocês, obrigado pela presença.

Bom dia!

Fazer cinema é, antes de tudo, contar histórias. Gostar de cinema é, mais do que qualquer outra coisa, gostar de boas histórias e de histórias bem contadas.

Minha aproximação com o cinema, como todos sabem, não é profissional, nem minha primeira militância. Mas ela vem sendo concebida há muito tempo e gerada de maneira heterodoxa.

Meus pais... Quanta coincidência…

Quantas vezes eu tive de explicar que “Glauber”, o nome esquisito que muitos me pediam pra soletrar, era uma homenagem a um cineasta genial.

Certamente nem o senhor, papai, nem a senhora, mamãe, quando decidiram pelo meu nome, imaginaram que um dia eu e meu nome nos encontraríamos aqui, na direção da agência nacional do cinema.

Papai, mamãe, muito obrigado. Não só pelo nome, claro, mas por me apresentarem às muitas histórias que compartilhamos ao longo dos anos.

A memória que mantenho mais viva de minha iniciação no cinema é da minha avó materna, que insistentemente me levou a assistir Mazzaropi, Os Trapalhões e Super-homem. Ela também não percebia a semente que plantava.

Por falar em sementes e boas histórias, hoje eu apresento a minha a vocês. Erika, minha companheira, e Théo, meu filho.

Vocês me têm sido o grande suporte e estímulo para essa mudança para o Rio e para a re-elaboração das nossas vidas. É o seu compromisso, Erika, com um mundo mais saudável que me alimentou nos últimos tempos. Que a vinda pra cá nos ajude a contar e viver boas histórias com o Théo.

Além dos agradecimentos óbvios, ainda que justos e necessários, quero agradecer também algumas pessoas que ao longo dos últimos anos tiveram contribuição decisiva na minha militância.

Quero agradecer aos meus companheiros de Votorantim, onde fui Secretário Municipal de Cultura. Principalmente ao Pivetta, hoje prefeito, e ao Vande, secretário de Governo.

Agradeço aos companheiros do Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura de SP. Alguns estão aqui presentes e um de vocês hoje compõe minha equipe de trabalho.

Lima, amigo e irmão, quero reafirmar a você o desafio para essa caminhada. “Tamo junto”, meu caro! O mesmo vale para os demais companheiros da assessoria: Angelisa, Ana Cecília, Eduardo, Marla, Lucivaldo, PC.

Agradeço também a outros quatro companheiros que foram decisivos na minha vinda para a ANCINE. O deputado Ricardo Berzoini, o senador Cristovam Buarque, Pedro Tierra, poeta gerado na escuridão da noite, e Nilson Rodrigues, ex-diretor da ANCINE que hoje substituo.

Agradeço ao ministro Juca Ferreira, com quem já travei saudáveis debates sobre gestão cultural e que prontamente me indicou para compor a diretoria colegiada da ANCINE.

Sou grato a vários outros amigos que têm me acompanhado nessa boa história que venho tecendo a muitas mãos. Não vou citar nomes, mas reafirmo aqui meu companheirismo.

Talvez o contador de histórias que mais me encanta seja Guimarães Rosa, que não fez cinema, mas narrou imagens que ainda se movimentam entre nós.

De Grande Sertão: veredas de vez em quando eu saco um punhado de imagens para fazer os sonhos dialogarem com a lida.

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim. Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”, disse ele.

E gestão pública de cultura, em qualquer lugar do mundo, exige responsabilidade e coragem.

É a partir desta perspectiva que me apresento e me somo ao trabalho de servidores e diretores da ANCINE, e ao próprio Ministério da Cultura, na gestão das políticas para o cinema brasileiro.

Há alguns anos o mundo passa por uma grande transformação com a digitalização de sons e imagens, ampliando a circulação de informação e gerando aumento significativo na demanda por imagem.

Essa conjugação entre ampliação da demanda e de meios de difusão está criando uma série de novas oportunidades e de novos modelos de negócio aos quais todos devemos estar atentos.

Hoje, não se pode pensar o Cinema fora do ambiente do Audiovisual, o que não significa que a produção especificamente cinematográfica tenha perdido sua importância.

Pelo contrário!

Esse novo ambiente de convergência conferiu ainda mais força ao Cinema, que é hoje a principal plataforma de lançamento de produtos audiovisuais, com grande capacidade de irradiação para outras mídias.

O cinema permanece como o principal elemento definidor do valor de uma obra e estimula os demais elos dessa cadeia.

O cinema é o grande estimulador deste consumo.

Mas cinema é muito mais do que isso.

Cinema é linguagem, antes e muito além de janelas e corredores.

É por isso que devemos ter consciência de que esse novo cenário reafirma por um lado a importância do Cinema para a economia do audiovisual e, por outro, torna impossível pensar políticas para o cinema sem considerar o contexto mais amplo no qual ele está inserido.

A conseqüência deste fenômeno é reafirmar a importância do Cinema e do Audiovisual para o processo civilizatório, pois mais do que um importante setor da economia que emprega, gera riqueza e alavanca outros setores, estamos tratando de um dos principais fatores de formação das identidades de cada povo e uma forma de expressão privilegiada do pensamento.

O Cinema é um registro do acúmulo de reflexões sobre quem somos e que nação queremos construir. Nesse aspecto, é o registro dinâmico das nossas utopias.

Essa importância do Cinema implica em que a política pública para o audiovisual seja objeto do interesse do conjunto da nação brasileira e não apenas daqueles que atuam profissionalmente nessa área.

A indústria do Audiovisual, e destacadamente o Cinema, são muito maiores do que o espaço que ocupam. O cinema brasileiro é maior que o próprio cinema brasileiro.

Não se trata apenas de um setor relevante da economia e sim de um dos principais fundamentos para a afirmação do nosso povo e da nossa nação diante do mundo.

Nos seus oito anos de existência, e sete de efetiva operação, a Ancine se consolidou como referência para o conjunto da indústria do audiovisual.

Uma das ações mais bem sucedidas da agência foi ter desenvolvido diversos mecanismos de incentivo, abrindo um amplo leque de alternativas para um amplo espectro de necessidades.

Hoje, a agência opera com vários mecanismos de incentivo:

· o fomento direto a fundo perdido;

· o investimento retornável por meio de fundos ou certificados de investimento;

· o financiamento via BNDES, por exemplo;

· o patrocínio privado com isenção fiscal; e

· a co-produção entre empresas programadoras de TV, ou empresas distribuidoras de cinema, e produtores independentes;

Mais recentemente e com enorme destaque, a ANCINE participou da criação, pelo governo federal,

· do Fundo Setorial do Audiovisual, um mecanismo com múltiplas funcionalidades.

Dentre todas as modalidades de fomento, porém, eu quero destacar uma que me parece fundamental, pois estimula o compromisso de produtores, distribuidores e exibidores com o cinema brasileiro e com o resultado de seu trabalho.

Eu me refiro à premiação pelo desempenho pregresso como ocorre no Prêmio Adicional de Renda e no Prêmio ANCINE de Qualidade, que são experiências que devem ser fortalecidas.

Vale destacar também que a agência tem produzido bons resultados para além do fomento.

Ela criou sistemas de registro e acompanhamento das atividades econômicas que permitem começar a conhecer a verdadeira dimensão dessa economia e inicia uma fiscalização regulatória que irá contribuir para o fortalecimento das boas práticas e promoção de maior equilíbrio no mercado.

Recentemente, a ANCINE passou por um amplo e participativo processo de Planejamento Estratégico, que demonstra sua vontade de qualificar seus processos de gestão.

Ao longo da minha vida pude participar de diversos processos de planejamento participativo e sou testemunha da capacidade que eles têm de conferir um senso de compromisso e pertencimento que se reflete no dia-a-dia das instituições.

Que saibamos alimentar e estimular o diálogo deste planejamento com a dinâmica real da casa.

Aqui quero valorizar o fato de a ANCINE haver preparado um quadro de servidores com alto nível, envolvidos pelo constante esforço de qualificar os procedimentos e o atendimento dispensado aos usuários, e capazes de contribuir ainda muito mais na formulação e gestão das políticas públicas.

Em meu discurso diante da comissão de educação e cultura do Senado, enumerei uma série de novos desafios que hoje se colocam diante da ANCINE.

Embora alguns de vocês já conheçam o que falei no senado, quero repetir alguns temas.

É urgente que a ANCINE induza a expansão e desconcentração do nosso parque exibidor, ajudando a desenvolver novos modelos de negócio que tornem sustentável a manutenção de salas em pequenas e médias cidades e em bairros de população com menor poder aquisitivo.

Devemos nos envolver mais no combate à pirataria, na elaboração de políticas de incentivo específicas para as videolocadoras, nas estratégias de colocação da nossa cinematografia nos mercados internacionais e no debate sobe a formulação de novos marcos regulatórios para a Comunicação e para a Cultura.

Precisamos estimular ainda mais o relacionamento entre a produção independente e a televisão.

A possibilidade de produzir para a TV ou de licenciar uma obra já lançada nos cinemas é um dos elementos centrais no planejamento de uma empresa produtora ou distribuidora independente de audiovisual. Neste aspecto, é infrutífero e pouco inteligente pensar o cinema divorciado da televisão.

No Brasil, precisamos avançar nessa direção.

Precisamos avançar, também, no fomento ao consumo, que têm o potencial de estimular todos os elos da cadeia produtiva do Cinema e gerar sustentabilidade ao conjunto do setor.

O Vale Cultura é uma proposta central do Governo Federal e que, para a cadeia produtiva do cinema, sinaliza com perspectivas de sustentabilidade e descentralização.

Grande parte das distorções que marcaram a história das políticas culturais no Brasil resulta da quase exclusividade dos investimentos públicos no fomento à produção de obras em detrimento da sua circulação, exibição e, principalmente, do seu consumo.

Fomentar o consumo não significa deixar de fomentar a produção.

Antes, indica a necessidade de apontar o alvo do incentivo estatal para todos os elos das cadeias produtivas, adotando uma perspectiva sistêmica para as políticas de fomento que possibilitem um efetivo impacto regulatório, gerando um mercado mais equilibrado, sem os gargalos que hoje existem e estruturado sobre empresas consolidadas.

Um tema que considero especialmente importante para a sustentabilidade da economia do audiovisual é a necessidade de passar a fomentar não apenas os produtos e serviços dessa indústria, mas antes, estimular que se estabeleçam empresas mais fortes, estimuladas à cooperação e à associação, e melhor instrumentalizadas para uma gestão planejada e eficiente.

Por esse motivo, venho advogando que deva ser uma meta da ANCINE combinar as políticas de apoio a projetos pontuais com o fomento a estratégias de sustentabilidade empresarial de médio e longo prazos, apoiando os planos de negócio e a estruturação de empresas.

A sustentabilidade de qualquer processo produtivo se alcança com qualidade, planejamento, continuidade e escala. Isso não é diferente para o Cinema e deve ser induzido pela agência.

Outro aspecto fundamental é reafirmar o papel formulador e articulador do Conselho Superior de Cinema, com o qual a ANCINE deve estar em permanente interlocução, buscando solidariamente os melhores caminhos para a sustentabilidade do setor.

O cenário atual do Audiovisual traz esses e outros novos desafios, mas não podemos esquecer que existe ainda um passivo a ser superado e o papel da ANCINE é apoiar o cinema nacional a encontrar alternativas para que nossos filmes sejam mais vistos ao mesmo tempo em que são fortalecidos os diferentes elos dessa cadeia produtiva.

A complexidade desse cenário exige uma atuação sistêmica, com foco no resultado, orientado pelo interesse público.

Quero pautar minha atuação na ANCINE por esses princípios, contribuindo para ampliar os canais de interação da Agência com o conjunto da sociedade, com universidades e centros de pesquisa, com outras instâncias e órgãos de governo e com os agentes do setor.

Quero participar da consolidação de uma cultura de gestão que valorize o planejamento com visão de futuro, tanto para a ANCINE como para o mercado e, sobretudo, zelando para que o interesse público continue a ser o eixo orientador das nossas ações.

Por fim, retomando Guimarães Rosa, quero lembrar que “sapo não pula por boniteza. Pula por precisão”.

A economia do cinema e do audiovisual precisam de uma ANCINE dinâmica e disposta a fortalecer seus elos e seu conjunto, assim como todos precisamos que o cinema brasileiro se diversifique e complexifique.

Que ninguém acredite que nosso market share será multiplicado com passes de mágica. Aumento do parque exibidor, embora seja fundamental, não resolverá todos os nossos problemas, assim como aumento de cota de tela ou outros soluções isoladas também não o fariam.

Precisamos estimular que nossas boas histórias cheguem ao nosso público. Brasileiro gosta de filme brasileiro. É aí que nos enxergamos.

Mas precisamos, crescentemente, ter filmes que dialoguem com nossa diversidade etária, geográfica e cultural.

Comédias, documentários, infanto-juvenis, dramas, experimentação de linguagem... ingressos mais baratos, salas em mais cidades e para todas as classes...

Estratégias várias que estimulem o hábito de ir ao cinema e gerem sustentabilidade.

Caminhos mais planos para o desfile de nossas histórias.

O nosso sapo pula por precisão, pula porque precisamos produzir, distribuir, exibir e consumir nossas histórias. Mas ele também já está pulando cada vez mais por boniteza. Isso já é meio caminho andado.

Hoje eu me apresento para a próxima etapa deste caminho.

Muito obrigado!

Glauber Piva

5 de Junho de 2009

Brasil

STF marca julgamento do Diploma

O Supremo Tribunal Federal incluiu na pauta da sessão de quarta-feira, dia 10 de junho, o julgamento do Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a obrigatoriedade da formação universitária em Jornalismo para o exercício da profissão. O julgamento da exigência do diploma está marcado como primeiro ponto da sessão. Porém, pode ser mais uma vez postergado se o ministro Marco Aurélio solicitar a inclusão do caso do menino cuja guarda está sendo reivindicada pelo pai norteamericano. Se isto ocorrer, esta questão terá prioridade.

31 de Maio de 2009

Brasil

Serra, o candidato neocon

Luiz Carlos Azenha fez um belo artigo identificando os amigos e patrocinadores da campanha de José Serra. Vale a pena ler o texto integral no sítio Vi o mundo. Abaixo, um trechinho.
Serra pode até pretender se apresentar como "de esquerda", mas hoje ele é o candidato "dos" e "para" os neocons brasileiros, aqueles que querem cortar impostos -- isto é, extinguir os programas sociais --, criminalizar os movimentos sociais -- isto é, prender o MST -- e "promover a democracia" para poucos -- isto é, invadir o Paraguai, a Bolívia e a Venezuela.

30 de Maio de 2009

Brasil

Datafolha

Pesquisa que será publicada na Folha de domingo aponta aproximação entre Serra e Dilma. Ele caindo 3% e ela subindo 5%. Além disso, a rejeição ao 3º mandato, que há um ano era de 63%, agora é de 49%. O apoio, por sua vez, que era de apenas 34% subiu para 47%.
Os detalhes da pesquisa eu ainda não conheço, mas entendo um pouco melhor o textinho publicado no Estadão que comentei abaixo.
As nuvens parecem estar mudando de forma.

ANCINE

Nomeação

Agora é de verdade. Sexta-feira foi publicado o decreto presidencial e na próxima segunda, dia 1º.06, começarei as atividades na ANCINE.

MINISTÉRIO DA CULTURA

DECRETOS DE 28 DE MAIO DE 2009

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição

que lhe confere o art. 84, inciso XIV, da Constituição, e tendo em

vista o disposto no § 1o do art. 8o da Medida Provisória no 2.228-1,

de 6 de setembro de 2001, resolve

N O M E A R

GLAUBER PIVA GONÇALVES, para exercer o cargo de Diretor da

Agência Nacional do Cinema - ANCINE, até 22 de maio de 2013, na

vaga decorrente do término do mandato de Nilson Rodrigues da

Fonseca.

Brasília, 28 de maio de 2009; 188º da Independência e 121o

da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

João Luiz Silva Ferreira

Agenda

Comunicação e Cultura

Neste domingo participo, como debatedor, de evento promovido pela Secretaria Nacional de Cultura do PT, no Rio de Janeiro. Estarei ao lado da professora Ivana Bentes e de um representante do Observatório de Favelas na mesa Mídia Livre, Informação e Inclusão Digital. A mesa terá início às nova da manhã, mas o encontro, que começou no sábado, se estenderá até o final da tarde. Anote o endereço.

Encontro Regional de Cultura – Sudeste

Local: Arcos Rio Palace Hotel

Avenida Mem de Sá, 117 Centro Rio de Janeiro - RJ

Brasil

Medo ou baixaria?

Artigo publicado no Estadão desta sexta-feira, por um analista de riscos (?) de alcunha Alexandre Barros, sob o título Nem Dilma nem o Brasil merecem isso.
O texto é auto-explicativo e embrulhativo. Não exige comentários.
O fato concreto é que, independentemente de nossos sentimentos, crenças e desejos, ou do que vai ou não vai acontecer com a candidata e eventual presidente Dilma, nenhum partido ou líder tem o direito ético de empurrar 185 milhões de brasileiros para o possível desperdício dos sacrifícios que todos fizemos durante os mandatos de Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula, em nome de interesses pessoais, partidários, caprichos, desejos ou crenças.

O que está em jogo não são as qualidades ou os defeitos da ministra Dilma, sua competência maior ou menor ou a admiração que tenhamos ou não por ela. Trata-se dos custos que a evolução da saúde da ministra poderá ter para todos os brasileiros.

Correremos o risco de viver anos em sobressalto, porque crises, depois que começam, adquirem dinâmica própria. Nem sempre sabemos quando e como elas começam. E nunca sabemos quando nem como terminam.

Crises acontecem. Algumas são previsíveis; outras, não. Algumas podem ser evitáveis; outras, não. Levar adiante a candidatura da ministra Dilma Rousseff pode ser entrar numa crise previsível, de desfecho completamente desconhecido, mas que pode ser muito caro para todos os brasileiros.

25 de Maio de 2009

ANCINE

Critóvão Buarque

O generoso relatório que o senado Cristóvão Buarque fez na apresentação de meu nome ao Senado está disponibilizado na internet. Para lê-lo na íntegra, é só clicar.

21 de Maio de 2009

ANCINE

Na tarde de ontem o senado federal aprovou três nomes para compor a nova diretoria da Agência Nacional do Cinema: Manoel Rangel, que foi reconduzido, Paulo Alcoforado e eu.
A partir de junho eu comporei a diretoria colegiada da ANCINE e inaugurarei uma nova etapa de minha militância.
Antes da aprovação pelo plenário do senado, na terça-feira, dia 19, passamos por uma sabatina na Comissão de Educação, Cultura e Esportes do próprio senado.
Abaixo eu transcrevo o discurso que fiz na comissão.


Sabatina - Senado Federal

por Glauber Piva

Gostaria de me dirigir às vossas excelências, senadoras e senadores, para me apresentar, considerando a minha indicação pelo presidente Lula e pelo Ministro da Cultura, Juca Ferreira, a uma vaga na Diretoria Colegiada da Agência Nacional do Cinema.

Eu não sou aquilo que se convencionou chamar de um “homem de cinema”, pois nunca atuei profissionalmente em qualquer segmento dessa atividade.

Sou graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, com um mestrado não concluído em Sociologia, também pela USP, e especialização pela Fundación Internacional y para Iberoamérica de Administración y Políticas Públicas. Mais que um acadêmico, porém, ao longo do tempo tornei-me um militante e gestor de políticas públicas de cultura.

Fui secretário de Cultura na cidade de Votorantim, e coordenador do Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura do estado, que reunia diversos gestores de cidades do interior paulista.

Essa vivência, somada à minha participação nas coordenações dos programas de governo do presidente Lula, aguçou minha sensibilidade para a enorme diversidade cultural do país e ajudou a formar a convicção de que o ambiente complexo e dinâmico da Cultura deve ser tratado pelo Estado de forma sistêmica, articulando e integrando os diversos elos das cadeias produtivas e as diversas estratégias de produção que existem, nunca perdendo a perspectiva de que é o cidadão o objetivo último das políticas públicas.

Foi essa convicção que me levou a propor o estudo do Sistema Nacional de Cultura no curso de especialização que fiz na Espanha no ano passado e que, agora, alimenta as perspectivas de minha contribuição com a gestão do cinema brasileiro pela ANCINE.

Entendo que a importância do audiovisual no processo civilizatório tem múltiplas dimensões. Cito três:

· é um dos principais fatores de formação das identidades de cada país;

· é uma forma de expressão privilegiada do pensamento; e

· é uma indústria que emprega, gera riqueza e alavanca outros setores produtivos da economia.

A cinematografia brasileira é a soma imperfeita dessas dimensões, agregando talento artístico, capacidade reflexiva à instabilidade histórica de nossa economia aplicada ao cinema, que vive uma grande fase na última década.

Mas é sempre importante destacar que o Cinema é um registro do acúmulo de reflexões sobre quem somos e que nação queremos construir. Nesse aspecto, é o registro dinâmico das nossas utopias.

Essa importância do Cinema implica em que a política pública para o audiovisual seja objeto do interesse do conjunto da nação brasileira e não apenas daqueles que atuam profissionalmente nessa área, já que guarda relação estreita com o fato do Brasil estar assumindo, cada vez mais, uma condição de protagonista na condução do seu próprio destino.

A importância que o Estado brasileiro reconhece no Cinema levou à criação da ANCINE, em 2001, que desde então vem atuando para fortalecer o Cinema brasileiro e tem colhido bons resultados.

Prova disso é o fato de sairmos de uma realidade com apenas 28 filmes lançados em 2003, para os 82 que chegaram às telas no último ano.

Para que isso fosse possível, a ANCINE desenvolveu vários mecanismos de incentivo:

· o fomento direto a fundo perdido;

· a premiação do desempenho pregresso das obras;

· o investimento retornável, tanto para o Estado como para o mercado, através de fundos ou certificados de investimento;

· o financiamento via BNDES, por exemplo;

· o patrocínio privado com isenção fiscal;

· a co-produção entre empresas distribuidoras de cinema, ou empresas programadoras de TV, e produtores independentes; e (3º, 3º A da Lei do Audiovisual e art. 39 da MP)

Mais recentemente e com enorme destaque e eficiência, a ANCINE participou da criação, pelo governo federal,

· do Fundo Setorial do Audiovisual, um mecanismo com múltiplas funcionalidades.

Em poucos anos foi aberto um amplo leque de alternativas para um amplo espectro de necessidades, o que resultou na produção daqueles 82 filmes que significam algo como 25% do total de obras lançadas no mercado de salas de cinema no ano passado.

Mas aqui, antes de assumirmos um discurso acrítico, observemos que, segundo dados da própria ANCINE, do total de pessoas que foi ao cinema em 2008, apenas 10,16% o fizeram para assistir um filme nacional.

Este certamente não é o resultado pretendido.

Aí surgem perguntas:

· Onde está a falha?; e

· Quais as razões desse desequilíbrio entre o número de filmes lançados e o público brasileiro que vai assisti-los em comparação com os totais de filmes e público nos cinemas do país em 2008?

Certamente não há resposta única, mas parece claro que um dos principais problemas que temos é o fato de um país, com quase 200 milhões de habitantes, possuir, segundo dados da ANCINE, apenas 2278 salas instaladas em 816 complexos cinematográficos concentrados em 409 municípios brasileiros – ou seja, apenas 7,35% das cidades do país têm salas cinema).

(Para mal comparar, lembremos que o México tem cerca de 4 mil salas de cinema com a metade de nossa população. Outra lembrança válida é que em 1975 o Brasil tinha 1000 salas de cinema a mais do que tem hoje.)

A relação, portanto, é óbvia: o crescimento do número de salas não acompanhou o incremento na produção de obras, tornando difícil o lançamento e a permanência em cartaz dos filmes brasileiros. Esse, aliás, é um gargalo que a ANCINE apenas começa a enfrentar.

Valorizemos, então, as políticas de expansão e desconcentração do nosso parque exibidor, somando isso aos esforços que já estão sendo empreendidos no desenvolvimento de novos modelos de negócio que tornem sustentável a manutenção de salas em pequenas e médias cidades e em bairros de população com menor poder aquisitivo.

Mas não podemos nos iludir. A ampliação do parque exibidor brasileiro não resolverá, por si só, o market share do cinema nacional, já que a ida do público aos cinemas para ver filmes nacionais é o resultado de vários fatores combinados, como o preço médio do ingresso, a qualidade dos filmes, as políticas de distribuição, os interesses dos donos dos cinemas etc.

O papel da ANCINE, portanto, é apoiar o cinema nacional a encontrar alternativas para que nossos filmes sejam mais vistos ao mesmo tempo em que são fortalecidos os diferentes elos dessa cadeia produtiva.

Outros dois aspectos relevantes que precisam ser fortalecidos são:

· o papel da ANCINE no combate à pirataria, que além de fragilizar a economia do audiovisual, alimenta o crime organizado e mantém na informalidade uma multidão de trabalhadores em todo o mundo; e

· A elaboração de políticas de incentivo específicas para as videolocadoras, única rede de provimento de conteúdo audiovisual efetivamente capilarizada no Brasil.

A expansão do parque exibidor, o combate à pirataria e o fomento às videolocadoras são bons exemplos de ações que a ANCINE poderia estar desenvolvendo com maior eficiência se houvesse melhor articulação entre ela e os governos de Estados e de municípios, assim como vários outros aspectos da política para o audiovisual, como o enfrentamento da delicada questão da meia entrada, por exemplo, que dependem de uma interlocução constante com o Congresso Nacional.

Mas quero abordar, aqui, também, um tema importante para a sustentabilidade da economia do cinema que é a necessidade da existência de empresas nacionais mais bem estruturadas, estimuladas à associação e à cooperação entre si e operando com planejamento de longo prazo, tanto para a produção de filmes como para a distribuição e a exibição.

De uma maneira geral, acredito que deva ser uma meta da ANCINE combinar as políticas de apoio a projetos pontuais de produção e comercialização de obras, com o fomento a estratégias de sustentabilidade empresarial de médio e longo prazos.

O financiamento de uma obra específica, mesmo representando a injeção de recursos e geração de trabalho para o produtor cultural, não é suficiente para gerar sustentabilidade da economia do cinema. A sustentabilidade de qualquer processo produtivo se alcança com qualidade, planejamento, continuidade e escala. Não é diferente para o Cinema nem para a Cultura em geral.

A ANCINE, portanto, precisa otimizar essa combinação de maneira que o audiovisual brasileiro seja uma indústria cada vez mais diversificada e complexa.

Nesse sentido, quero dar especial destaque ao esforço que a ANCINE já desenvolve para apoiar as estratégias de colocação da nossa cinematografia nos mercados internacionais, estimulando a exportação e as co-produções, elementos capazes de alavancar nossa indústria e contribuir para o melhor posicionamento internacional de toda a economia brasileira.

Outro ponto importante que devemos observar é o necessário aprofundamento do relacionamento entre a produção independente e a televisão.

A possibilidade de produzir para a TV ou de licenciar uma obra já lançada nos cinemas é um dos elementos centrais no planejamento de uma empresa produtora ou distribuidora independente de audiovisual.

Atualmente, é impossível e pouco inteligente pensar o cinema divorciado da televisão.

Em muitos países há íntima relação entre programadores de TV e produção independente, enlaçados por modelos de negócio que viabilizam a ambos. No Brasil, precisamos avançar nessa direção. E a ANCINE pode, como agente fomentador, estimular esse diálogo.

Precisamos e podemos pensar juntos em soluções que contemplem as necessidades de todos os segmentos envolvidos e preservem o interesse público.

Da mesma forma, é preciso que estejamos preparados para lidar com um conjunto de novas mídias que já são realidade, como a internet e a telefonia.

Sobre esse aspecto gostaria de elogiar a forma como ANCINE e Congresso Nacional vêm se articulando para tratar das oportunidades surgidas a partir desse novo cenário proporcionado pela convergência tecnológica.

Um novo marco regulatório para as comunicações no Brasil é algo que vêm sendo debatido pelo parlamento há alguns anos e nesse debate a ANCINE tem exercido um papel importante que precisa continuar e ser aprofundado.

Por fim, eu gostaria de tratar da centralidade que as políticas de fomento e incentivo ao consumo devem assumir.

O Vale Cultura é uma proposta central do Governo Federal que o Ministério da Cultura agora traz a público e que, para a cadeia produtiva do cinema, sinaliza com perspectivas de sustentabilidade e descentralização.

Grande parte das distorções que marcaram a história das políticas culturais no Brasil resulta da quase exclusividade dos investimentos públicos no fomento à produção de obras em detrimento da sua circulação, exibição e, principalmente, do seu consumo.

Fomentar o consumo não significa deixar de fomentar a produção. Antes, indica a necessidade de apontar o alvo do incentivo estatal para todos os elos das cadeias produtivas, adotando uma perspectiva sistêmica para as políticas de fomento que possibilitem um efetivo impacto regulatório, gerando um mercado mais equilibrado, sem os gargalos que hoje existem e estruturado sobre empresas consolidadas.

Em suma, a perspectiva de atuar na Diretoria Colegiada da ANCINE apresenta a mim inúmeros desafios.

Uma gestão qualificada e comprometida dessa agência é algo que interessa ao conjunto da sociedade brasileira e não apenas ao mercado cinematográfico.

Creio que as condições para isso já estão dadas.

Hoje a ANCINE conta um quadro de servidores qualificado, com a efetiva colaboração de grande parte dos agentes de mercado e a competência e dedicação demonstrada pelos homens e mulheres que ocuparam sua Diretoria Colegiada ao longo dos anos.

Apresento às vossas excelências, senadoras e senadores, minha disposição de participar desse processo, colaborando com meus melhores esforços para que a ANCINE se fortaleça e com isso fortaleça o cinema brasileiro, contribuindo assim para o engrandecimento do nosso país e do nosso povo.

Muito obrigado.

23 de Abril de 2009

Luto

Um homem bom.

Por Roberto Gonçalves de Lima*

Repentinamente o mundo, sobretudo o mundo do Teatro, recebe a notícia de que não podemos mais contar com Reinaldo Maia.

Vai-se um dramaturgo, diretor e ator que sabia o que fazia por que havia escolhido o que queria fazer. Sabia quem era, onde estava e para onde queria ir.

Vai-se um amigo, embora fosse um sujeito chato e até irritante, sempre irônico e quase sempre sarcástico, virtudes de sábio que ele interrompia repentinamente com uma doçura e uma leveza tão surpreendentes e tão emocionantes que deixavam qualquer um perdido.

Vai-se um sujeito que pensava o Teatro e a política para o Teatro com rara competência e lucidez. Que fez política e Teatro de modo a dignificar ambos, como poucos puderam.

Não pude privar da sua companhia tanto quanto gostaria, mas lembro de duas passagens que ilustram bem o que sinto pelo Maia.

Em 1989, durante a campanha do Lula para a presidência.

Eu petista roxo e ele comunista das boas cepas do PCB. O lugar é o antigo Teatro do Bexiga, onde artistas se reuniam toda segunda-feira para planejar a nossa inserção na campanha. Eu sentava sempre ao lado do Maia, justamente porque ele fazia questão de criticar tudo e todos sempre. Às vezes zombando, às vezes indignado, sempre irritado, mas não arredava pé. Entregava papelzinho, colava santinho, ganhava voto aqui e ali, mas achava que estava tudo errado. Tudo errado e ele lá. Lutando.

Outro episódio.

Eu secretário estadual de cultura do PT organizo com a turma um encontro em Osasco. A coisa se deu em um salão paroquial num dia de calor desumano que vencia sem dificuldade os muitos ventiladores ligados.

Só petistas na platéia, ou quase isso. Muitos gestores municipais de cultura em começo de trabalho. Levamos o Maia pra falar sobre o que quisesse. Maia falou do papel do artista e da arte como fatores de transformação do mundo, falou para todos ali que não valia a pena ser secretário de cultura sem lutar diuturnamente por um mundo melhor, e que a Arte era o melhor veículo de que a sociedade dispunha para sua própria transformação.

Eu via naquele ânimo um menino que não estava tentando, mas que sabia que estava efetivamente transformando o mundo ali e naquela hora.

Ao receber a notícia da morte desse guerreiro pensei que a gente nunca sabe por que os homens conseguem ser bons.

Diante de um mundo onde sagra tanta idiotice, idiotice essa que o Maia acusava sempre com aquele rizinho corrosivo e divertido, como ser um homem bom?

Mais importante é que Maia deixou para uma infinidade de moleques fazedores de Teatro a lembrança de termos tido nele um ponto de referência, um corajoso ponto de referência para todos que quisessem navegar em direção ao tal mundo melhor que ele parecia já ter vislumbrado, e certamente era a nossa cegueira diante dele que o deixava tão divertidamente irritado.

É difícil saber como se faz um homem bom, mas difícil mesmo é aceitar que eles morram.

Maia levou consigo esse mistério.

Roberto Gonçalves de Lima é dramaturgo e gestor cultural.

Cinto de utilidades

Publicado no blog Opinião Socialista

Cabeleireira transforma assaltante em escravo sexual na Rússia

Ele teria sido obrigado a tomar Viagra depois do assalto frustrado.

Polícia está indecisa sobre o caso, segundo jornal local.

Um estranho caso de assalto e estupro envolvendo um criminoso e uma cabeleireira está mobilizando a polícia russa.

Segundo o site “Life.ru”, uma cabeleireira de 28 anos identificada como Olga teve o salão invadido por um assaltante na terça-feira (14). Ela, que é treinada em artes marciais, conseguiu render o homem de 32 anos, identificado como Viktor, e levou-o para uma sala reservada.

Olga teria usado um secador de cabelo para render o assaltante, e acabou prendendo-o, mas não chamou a polícia.

Ela teria obrigado o criminoso a tomar o estimulante sexual Viagra, para depois abusar dele por diversas vezes, durante os dois dias seguintes.

Depois de ser libertado, Viktor foi ao hospital para curar seu órgão sexual “contundido”, e depois registrou queixa contra Olga. No dia seguinte, foi a vez de Olga registrar queixa contra Viktor por assalto.

A história fica ainda mais confusa, segundo o “Life.ru”, porque a polícia não tem certeza de quem é o verdadeiro criminoso nesse caso de assalto que terminou em “estupro” “.

Brasil

TV digital chega à 16ª cidade brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, autorizaram, nesta quarta-feira (22), as emissoras do Distrito Federal a transmitirem o sinal digital de suas programações. Brasília é a 16ª cidade brasileira a transmitir o sistema digital de alta-definição.

"A partir de agora, a população de Brasília passa a contar com imagem de alta definição e som de cinema na televisão", disse o ministro. Hélio Costa lembrou que será necessário ao telespectador adquirir um conversor para a recepção do sinal digital e que a recepção em alta definição só será possível para os aparelhos de televisão que têm essa tecnologia. “Em pouco tempo, o preço do conversor tende a ficar mais barato, permitindo a todas as pessoas usufruírem dos benefícios da transmissão digital de televisão”, comentou.

Canais - Serão consignadas, no Distrito Federal, os seguintes canais: TV Globo, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), TV Justiça, TV Senado, TV Câmara, Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), TV Band, TV Record e Cable-Link Operadora de TV a Cabo. Com a consignação do canal digital, as emissoras podem preparar o projeto de engenharia e encaminhá-lo ao Ministério para ser autorizado o início da transmissão digital. Na mesma data, a TV Globo e a TV Justiça começam a operar a transmissão digital em caráter permanente. A EBC inicia as transmissões em caráter experimental.

Alta definição -
Com a chegada da televisão digital, o telespectador brasiliense ganha qualidade na imagem, que passa a ser transmitida em alta definição, que pode resultar em ganho de até seis vezes a transmissão analógica. O áudio ganha qualidade comparável à do CD. Será possível também ao telespectador consultar na tela a programação da emissora e informações adicionais dos programas exibidos. Além disso, poderál assistir TV em outros receptores, como no celular e em mini aparelhos portáteis, sem interferências e ruídos. As próximas cidades a iniciarem as transmissões digitais serão Campo Grande e Fortaleza.

Brasil

LISTA

Saiu a lista das entidades que comporão a comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que discutirá o futuro das comunicações. Das 16 cadeiras da sociedade civil, oito ficaram com entidades empresariais (como a Abert), sete com entidades com perfil de esquerda (CUT) e uma com as TVs públicas. (Folha de SP)

15 de Abril de 2009

100 palavras de hoje - em verso

Dois cus

Falo e grito sem desdém
Fazer filho é muito bom
Mesa farta, casa grande
Bucho cheio: vem neném.

Mas se a comida é escassa
E tem bolso sem vintém
Todo mundo faz pirraça
Com razão fica ninguém.

Digo isso sem mordaça
Ouça bem sem preconceito
Pra que não caia em desgraça
E despenque o parapeito

Vida é boa e é bem fácil
É só conhecer o atalho
Seja atento, sempre ágil
Fique esperto no seu galho

Escute a prosa de um jacu
Pense bem quem tem um cu
Medo é bom até em tatu
Quem tem filho tem dois cus

(parida de frase soprada por Roberto Lima: "quem tem cu tem medo. quem tem filho tem dois cus")

13 de Abril de 2009

Brasil

Marrom

Por algum motivo ainda não esclarecido, o diário Folha de S. Paulo tem se empenhado, nos últimos tempos, em imitar a sua pior face: a Folha da Tarde. Reproduz em pleno século XXI, os melhores momentos do jornalismo de delegacia de polícia, uma das formas com que a empresa expressava, nos anos 70, seu apoio ao regime dos generais.

A matéria do domingo, 5 de abril, com chamada de capa (em marrom): “Grupo de Dilma planejou o seqüestro de Delfim Netto”, estampada com manchete na página A8, recupera com certo estilo retrô, o que era o quotidiano da Folha da Tarde nos seus anos glória. Igualam-se. No estilo, no conteúdo e no método. A repórter sai brifada da redação com uma tese no caderno de notas em busca de uma entrevista que lhe sirva de âncora e de comprovação para vender ao leitor como se fosse notícia. Ao editor, cabe o resto do serviço: produzir a manchete que ilustrará, no futuro próximo, o programa eleitoral do candidato José Serra à Presidência da República, na televisão. Assim o vistoso jornal busca ampliar o alcance da sua mensagem, por outro veículo, para escapar da irrelevância, já que definha o número de assinantes.

A matéria, além do exame sobre seus óbvios propósitos político-eleitorais, deveria ser oferecida à análise dos psicanalistas. Hélio Pellegrino, brilhante intelectual e psicanalista mineiro-carioca, reproduzia um diálogo com seu filho adolescente, depois de algum drama familiar, para ilustrar a antiga convicção dos gregos: “tudo bem que “os filhos vieram ao mundo para destruir os pais”, mas tinha que ser à prestação?!” Parece que os herdeiros da Rua Barão de Limeira se empenham em destruir metodicamente a reputação do império construído por Otávio Frias em prestações a perder de vista...

Para reproduzir o ambiente policialesco daqueles anos marcados pelo medo, pela espionagem, a delação, a mentira, os assassinatos sob tortura oferecidos ao leitor como atropelamentos, tentativas de fuga, desaparecimentos, a mistificação do “prá frente Brasil”, o diário recorreu a duas entrevistas: uma com o ex-dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, Antônio Roberto Espinosa, hoje, doutorando da USP; outra com a ex-militante da mesma organização e hoje ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O primeiro, no dia seguinte à publicação da matéria, desafiou o jornal a publicar a íntegra do que afirmara na entrevista para que o leitor comparasse as palavras que realmente disse com o que denominou de “imundície publicada”. O jornal respondeu com candura: “A Folha não afirmou que Dilma queria seqüestrar Delfim.”

A ministra respondeu com objetividade às perguntas de uma repórter que se comporta como uma patética aspirante a inquisidora. “O delegado ficou bem impressionado com a senhora depois do interrogatório. A ponto de defini-la como uma pessoa com dotação intelectual apreciável”, comenta a certa altura da entrevista. Ótimo, a Folha agora recupera a invejável condição de porta-voz da delegacia de polícia. A ministra Dilma deve ter-se sentido realizada ao ouvir as sentenciosas opiniões do delegado graciosamente transmitidas pela repórter sobre suas aptidões intelectuais...

Um jornal, que apesar de ter colaborado ativamente com a ditadura militar, cumpriu um papel relevante na divulgação da campanha das “Diretas Já”, nos anos 80, num momento em que esteve em sintonia com as aspirações da maioria da sociedade, deveria dar-se ao respeito. E respeitar seus leitores. Depois do árduo processo de reconstrução democrática que vivemos no Brasil, nos últimos 30 anos, não é aceitável retroceder a um jornalismo rastejante, como o praticado nessa matéria do domingo, 5 de abril.

Temos aí um prenúncio do que virá na campanha de 2010. E um adeus às ilusões de alguns que insistem em estabelecer com a mídia conservadora do Brasil uma relação politicamente ingênua. Como se estivessem tratando com empresas que vendem informações à sociedade, num regime democrático. A regra – e não a exceção – na mídia brasileira radicalmente editorializada, é vender opinião em lugar de notícia. Lições a aprender.

Pedro Tierra
é membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.

8 de Abril de 2009

Lula e o Mundo

LADO A LADO
por Luis Fernando Veríssimo

Encosto ou não encosto? Só o joelho. O que pode acontecer? Ela dizer “Mr. Lula, please!” Aí eu recolho o joelho, peço desculpas, “aimsórri, aimsórri” e pronto. Se eu soubesse falar inglês, explicaria. Sabe o que é, Elizabeth? Eu estava aqui pensando: quando é que, lá em Pernambuco, eu ia imaginar que um dia estaria sentado ao lado da rainha da Inglaterra? Não sei quem é que me botou aqui para tirar esta fotografia dos G-20. Não acho que tenha sido um pedido seu, “Quero o bonitinho de barba à minha esquerda”. Claro que não. Mas o fato é que estou aqui e o Barack está aí atrás em algum lugar, de pé e se perguntando o que eu tenho que ele não tem. O Sarkozy não deve nem estar aparecendo. Ficou atrás da Merkel e não vai sair na foto. E eu aqui ao seu lado, na primeira fila. Isto significa muito, viu Elizabeth?

Lá na minha terra vai ter gente se mordendo de raiva. Onde já se viu, aquele retirante nordestino que nem fala direito sentado à esquerda da Rainha da Inglaterra? Quando eu me elegi muita gente ficou horrorizada: como é que vai ser quando ele, um torneiro mecânico, tiver que nos representar num jantar oferecido, por exemplo, pela coroa inglesa? Vai ser servido na cozinha, para não dar vexame na escolha dos talheres. E aqui estou eu, sentado ao lado - com todo o respeito - da coroa inglesa em pessoa.

Se foi o protocolo que me botou aqui, ele acertou, viu Beth? Você, queira ou não, não é só a rainha dos ingleses, é, simbolicamente, a rainha de todos os loiros de olhos azuis do mundo, incluindo o Barack. De todos os bandidos que causaram esta crise e hoje nos infernizam a vida. E, de certo modo, eu sou o seu oposto. Sou uma espécie de rei republicano dos não loiros do mundo - ou pelo menos deve ter sido essa a ideia do protocolo aos nos botar lado a lado. Todos os outros chefes de estado desta fotografia seriam dispensáveis. A foto poderia ser só de nós dois e estariam todos representados.

E isto significa outra coisa também, viu, Beth? Eu não me contentei em ter nascido na miséria, no Nordeste, e quis mais. Não me contentei em ser um torneiro mecânico em São Paulo e quis mais. Não me contentei em ser um líder sindical e quis mais. Não me contentei em perder eleição atrás de eleição, insisti e acabei presidente.

Agora estou aqui, lado a lado com a Rainha da Inglaterra, num dos pontos mais altos da minha carreira, e também quero mais. Por isso, minha perna se moveu e meu joelho encostou no seu. De certa forma, o movimento da minha perna foi o passo final da caminhada que começou em Pernambuco, tantos anos atrás. Já que, ao contrário de você, Beth, não posso ficar no poder para sempre.

6 de Abril de 2009

Charge de Aroeira para o Jornal do Sul

Mundo

Publicado no Sítio do Sérgio Léo

A fracassada política externa de Lula

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Para quem pensa que uma imagem vale mil palavras, essa aqui diz alguma coisa. O barbudo ao centro, ao lado da rainha, é o Lula, aquele que sabemos, pelo que lemos no Brasil, que hostiliza Europa e Estados Unidos, perdeu a liderança da América Latina para Hugo Chávez, tomou uma série de decisões ideológicas equivocadas e só colheu derrotas na política exterior.

O cara atrás dele é o presidente dos EUA, um tal Obama, que declarou ser o Lula o líder mais popular do mundo. Deve ser porque a imagem dos EUA no mundo anda péssima, e o Lula, como lemos sempre, odeia os EUA. Obama, aliás sabedor da máxima sobre imagens e mil palavras, fez questão de registrar, em vídeo, AQUI, sua irritação com o nosso conhecido antiamericanismo de Lula, que ele teve ocasião de comprovar ao recebê-lo entre os primeiros chefes de Estado que convidou à Casa Branca.

Como sabemos, por analistas insuspeitos, que a política externa de Lula é um fracasso, deve haver alguma razão para ele estar à frente, na foto, assediado e cercado pelos líderes das maiores potências mundiais: provavelmente, deram uma prensa nele cercaram o cara antes que ele fugisse e, logo depois da cena fotografada, o levaram para Guantánamo. Ou estão morrendo de medo do aparato bélico brasileiro, capaz de lançar poderosos mísseis metafóricos sobre os descendentes de arianos do planeta. Ou o Lula, aquela vergonha nacional que só sabe dar gafes, sentou no lugar reservado ao príncipe Charles.

O que mata nesses encontros internacionais é essa maldita política externa ideológica, esse lulismo irracional dessa gente loura de olhos azuis desinformada lá no primeiro mundo. Gente, ás vezes, como mostrou o Obama, nem tão loura, nem tão zarca.

2 de Abril de 2009

Parto de Gente

Anunciação

O que foi anunciado como mentira ou surpresa ultrapassou o meio da noite entre urros de dor e sussurros de esperança. Às 2h40 da madrugada desta quinta-feira, dia 02 de abril, o Théo chegou como se o futuro se descalçasse em nossos braços.

Foi um longo trabalho de parto que, na verdade, foi o final de uma longa viagem. O Théo foi concebido noutras bandas e nos ofereceu a oportunidade de conhecermos mais sobre a relação pais e filhos desde a gravidez e o parto. Foi por isso que, para a surpresa de muitos, optamos por um parto totalmente natural, sem anestesia e em clima bastante familiar.

É verdade que, por muitos meses, nós fugimos dos medos dos outros, disfarçamos nossos planos, iludimos nossas intenções como quem se protege da desconfiança do vizinho. A esses tantos, pedimos que nos compreendam.
O Théo nasceu em nossa casa, sob os olhares das avós, os cuidados da tia e doula Gleise, os carinhos profissionais de uma obstetra, uma obstetriz e um pediatra, a atenção do pai e, sobretudo, os esforços corajosos e reveladores da mamãe. Quanta emoção! Nasceu no meio da sala, a meio caminho entre a rede e o chão. Nasceu em silêncio, anunciando ao mundo que as revoluções podem ser lentas, desde que sejam saborosas.

Aos que nos acompanharan nessa viagem, obrigado pela torcida, apoio e cumplicidade.

A você, muito obrigado por receber o Théo, nosso menino-deus, em um mundo que hoje descobre que “haverá mais futuro do que jamais houve”.

Como presente, a trilha sonora do Théo.

1 de Abril de 2009

Cinema

BNDES aumenta em 16% repasses a cinema em 2009

da Folha de S.Paulo, no Rio

O BNDES vai divulgar neste mês as regras para seleção dos projetos audiovisuais que receberão recursos por meio de incentivo fiscal. O edital sai com atraso de um mês em relação ao calendário do ano passado. Os recursos crescerão 16% em relação ao último edital, de R$ 14 milhões para R$ 16 milhões.
O BNDES alega que atrasou a divulgação para dar tempo para que os produtores obtivessem documentos e certificados necessários, além de aguardar o resultado da seleção da Petrobras, previsto para julho. Os projetos precisam do aval do Ministério da Cultura antes para se candidatar aos recursos.
O aumento, no entanto, não vai trazer alívio para os produtores de longas de ficção. Os R$ 2 milhões excedentes --14% do programa baseado na Lei do Audiovisual --serão destinados à produção de documentários.
Produtores de longas de ficção têm se queixado das dificuldades de fechar o orçamento das produções no último ano. Primeiro, porque a Petrobras passou um ano sem divulgar seu edital, no valor de R$ 20 milhões. Segundo, porque empresas que vinham aumentando o apoio a cinema via leis de incentivo nos últimos anos decidiram rever ou suspender seus programas, após a crise.
Segundo o BNDES, o maior incentivo aos documentários se deve "à vocação crescente deste tipo de produção no cinema brasileiro e mundial".
Com a decisão, os documentários voltam a ter participação superior a 10% no edital de cinema do BNDES. Em 2005 e 2006, o apoio à produção de documentários correspondeu a, respectivamente, 3% e 6% dos recursos do edital de cinema, na casa dos R$ 12 milhões.
A decisão traz a destinação de recursos a documentário a patamares próximos ao período anterior à gestão de Guido Mantega e Carlos Kawall, que dirigiram o banco de 2005 a 2006. No período em que Carlos Lessa presidiu o banco, de 2003 a 2004, os documentários levaram mais de 20% dos R$ 15 milhões das verbas de cinema.

31 de Março de 2009

100 palavras de hoje

Amanhã

O amanhã virá e fará do que é poeira de estrada seca, fumaça de Ford velho, respiro de beija-flor. E chegando, será rotina cansando retinas escuras da sombra do ido, enjoadas do balanço de barco leve em mar agitado, fazendo brotar do gelo frio folha verde sem vingança, do cimento duro e cinza, frescor de riso fresco, conforto de bruma leve, justiça de espada rija. E o dia será esculpido num parto raro embalado por um grito úmido de gozo, criando um tempo que reinventa o tempo e revela que “por um momento haverá mais futuro do que jamais houve”.

Brasil

50% votariam no candidato de Lula, diz pesquisa

da folha online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o seu poder de transferência de votos à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na corrida pela sucessão presidencial em 2010, apesar da queda de sua popularidade em março, como revela pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. Segundo a pesquisa, 50,1% dos eleitores votariam no candidato apoiado por Lula. Em dezembro, eram 44,5%.
Entre os eleitores que confiam na escolha do presidente, 21,5% responderam que o candidato de Lula seria o único em que votariam. Outros 28,6% poderiam votar no apoiado por Lula. A pesquisa mostra que 20,3% não votariam em quem tem o apoio do presidente, contra 25,9% que votariam só se conhecessem o candidato. Em janeiro, eram 34% os que votariam no candidato de Lula apenas se conhecessem seu nome.
"A população começa a tomar partido. Aumenta o poder de transferência física de Lula. A avaliação do presidente, apesar de ter sofrido queda, é muito forte", disse o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes.
A pesquisa mostra uma reação de Dilma, que pela primeira vez aparece na frente do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), na pesquisa espontânea -em que os nomes não são apresentados aos eleitores. Dilma também venceria o tucano num eventual segundo turno, mas perderia se o candidato da oposição fosse o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
A avaliação do governo registrou queda em março, segundo a pesquisa. A avaliação positiva caiu de 72,5% em janeiro para 62,4%. A avaliação pessoal de Lula também caiu em março, após registrar a melhor avaliação histórica da pesquisa em janeiro deste ano. O índice caiu de 84% em janeiro para 76,2%.

24 de Março de 2009

You tube

Tranquilo

Em tempos de pré-natal, a seção You tube entrou em ritmo pré-parto. Ontem pus acalantos e hoje uma declaração de paz, ou melhor, uma confissão de tranquilidade diante do inesperado.
Tranquilo, interpretado por Thalma de Freitas, é uma balada pra alma, um balanço para tranquilizar os ansiosos. O vídeo é razoável. A música de Kassin é bem legal.
Tranqüilo
Levo a vida tranqüilo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar

Cinema

Se eu fosse

O blockbuster de Daniel Filho, Se eu fosse você 2, continua sua escalada de sucesso. Segundo relatório semanal do sítio Filme B, já atingiu 5.749.373 expectadores, um fenômeno da cinematrografia nacional, principalmente se considerarmos que o filme está na sua 12ª semana de exibição e a queda de público em relação à estréia é baixíssima - apenas 21%.
Enquanto isso, Menino da Porteira, que traz o cantor Daniel como protagonista, em sua terceira semana já exibe queda de 42% e só foi visto por 438.383 pessoas. Vai sofrer muito para chegar ao primeiro milhão; o que será pouco para a quantidade de cópias (257) e para o investimento em publicidade que recebeu.
Em tempo: Se eu fosse você 2 tem 211 cópias.