28 de janeiro de 2013

Audiovisual e infância no Brasil

"A questão fundamental que decidirá o futuro do Brasil se dá no plano dos valores." 

Emir Sader




O Brasil se vê crescentemente convocado a elaborar um pacto pela infância e articular uma série de políticas com objetivos e motivações múltiplas, desde as que se referem a índices educacionais, sanitários e de moradia, até os mais substantivos, neste caso, referentes à ampliação da cidadania e reconhecendo as crianças como sujeitos de direito. Na articulação entre essas duas dimensões abre-se a possibilidade de efetivarmos políticas que reconheçam vozes e necessidades das crianças e a perspectiva de, ao menos por uma fresta no paredão no qual se constitui a lógica consumista, estimularmos algum sentido libertário com força para orientar novas práticas sociais e oferecer o contato efetivo com a diversidade cultural que pulula no mundo.

A infância é um tema relevante em debate no Brasil há, pelo menos, trinta anos. Desde os anos 1980 que as preocupações com a escolaridade e o abandono de crianças nas grandes cidades ganharam visibilidade e passaram a ocupar discursos, alimentar projetos governamentais e não-governamentais e ocupar milhares de páginas de planejamentos de vários tipos. O problema é que essa relevância foi sendo traduzida em políticas públicas de maneira muito irregular.

Talvez não seja muito arriscado dizer que o tema “infância” ganhou espaço considerável nas mídias sociais à medida que passou a ser correlato dos debates no país sobre desenvolvimento. Crianças não escolarizadas que se tornariam mão-de-obra analfabeta e despreparada não podiam ser aceitas no país do futuro. Infantes abandonados aos olhos dos passantes eram poluição aos olhos do mundo. No Brasil, as crianças cumpriram por muito tempo um papel análogo à fama do próprio país: um eterno vir-a-ser, metáforas de uma nação inconclusa.

Nos últimos anos o tema da infância ganhou novos contornos e, necessariamente, passou a alimentar discursos e políticas sob novas perspectivas. Se no início do século passado criança era o que se chamava ‘crias’ da casa, de responsabilidade da família ou da vizinhança, agora aparece no centro do debate e sua fragilidade doméstica é substituída por sua visibilidade pública. Mesmo sabendo que a centralidade do tema da infância ainda é alimentada pelos debates e interesses referentes ao “desenvolvimento econômico”, também é preciso destacar os avanços provocados pela tríade “educação, cultura e direitos humanos” no que diz respeito ao tema.

Numa sociedade que fragmentou o conhecimento e também o exercício do poder, educação, cultura e direitos humanos se acercam da infância brasileira de maneiras distintas. Educação, mais estruturada, é a única que está representada em todos os municípios do Brasil - talvez apenas acompanhada das igrejas -: em cada cidade há, ao menos, uma escola, o que garante seu público. Além do corpo físico, a educação também é a de maior orçamento e claros instrumentos de gestão. Já os Direitos Humanos, com presença recente nas estruturas de governo, se relacionam com a infância brasileira a partir de uma pauta negativa: trabalho infantil, escravidão, violência. É a partir daí que se impõem sobre orçamentos e jornais e se insinuam no debate social.

A cultura, por outro lado, profundamente sedimentada como território do lúdico e do afetivo – aquilo que nos afeta sem coerção – talvez seja, entre as três, a que tenha a maior dívida com a infância. Historicamente, sua aproximação com o tema se deu por via indireta, por meio de políticas de fomento, de incentivo fiscal ou de editais públicos. Raras foram as políticas públicas de cultura – e aqui se inclui o audiovisual, claro – que se propuseram a dialogar com ele a partir do reconhecimento de seus direitos, suas carências e sua diversidade. 

Mesmo reconhecendo a existência rarefeita de políticas de cultura para a infância e, principalmente, da boa experiência da literatura infantil que, mesmo via educação, consolidou-se como política pública com criação de bibliotecas abertas ao público, qualificação das bibliotecas escolares e publicações regulares, não se sedimentou no país a partir de um arranjo sistêmico. 

As políticas de cultura voltadas às infâncias – uso aqui o plural para marcar à potencialização de uma diversidade que vai além do regional, mas envolve distintas fases, condições econômicas, tipos de escolas que freqüentam, se rural ou urbanos etc. – têm de, obrigatoriamente, estar articuladas com as políticas de educação, sobretudo por sua capilaridade e inteligência acumuladas, e com as políticas de direitos humanos: porque as políticas culturais, sobretudo quando vocacionadas às crianças, está tratando de valores. O mesmo deve acontecer com outras áreas de governo, como saúde e ocupação do espaço urbano, por exemplo, ainda que o eixo principal deva se dar com Educação e Direitos Humanos.

Acredito que devamos repensar nossas políticas culturais para que as buscas imaginativas para a transformação da sociedade estejam relacionadas não apenas a empreendimentos econômicos, mas a formas de solidariedade nutridas em uma visão mais complexa do mundo e em diálogo com as novas tecnologias. Não podemos pensar em políticas para a infância se não considerarmos que não vivemos mais em um mundo restrito, analógico e fraturado em culturas nacionais. Embora antigos conceitos ainda tenham valor e utilidade – como etnias, identidades, países e nações –, estamos todos sujeitos à participação em uma série de circuitos comunicacionais que nos põem em contato com muitas maneiras de viver. É nesse mundo multiconectado no qual vivem nossos filhos e netos e, portanto, é sob esta perspectiva que deve se estabelecer um novo diálogo. 

Quando Emir Sader nos diz que o futuro do Brasil vai se definir no plano dos valores, não está negando os aspectos mais duros da labuta econômica, mas nos alertando para um embate ainda mais relevante: o dos valores que vivenciamos e cultivamos e, portanto, do futuro que praticamos. Talvez por isso devamos nos lembrar que a dimensão dos direitos culturais antecede à dimensão econômica da cultura, ainda que não se contraponha nem se subordine a ela. A relação entre infância e mídia, portanto, pode ser chave para aquela disputa de valores, tanto por seu valor simbólico e cultural como por seu importantíssimo impacto sócio-econômico. Um pacto pela infância no Brasil deve considerar o papel do audiovisual para a sua efetivação. Estamos falando de uma ferramenta que é muito útil e oportuna a políticas de formação e de garantia de direitos, mas, também absolutamente adequada para entretenimento e explicitação dos vários mundos com os quais podemos estar conectados. Com tais funcionalidades e não sem riscos, torna-se vetor para a consolidação de mercados e para o dinamismo cultural.

Na prática, há mecanismos que devem ser acionados para dar concretude ao discurso. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), sob a coordenação do Ministério da Cultura/Ancine, é um deles, devendo criar linhas específicas de desenvolvimento de projetos, produção e distribuição de conteúdos dirigidos às crianças. A Educação, com a incorporação crescente do audiovisual como ferramenta pedagógica e de conhecimento, é outro. Os organismos de Direitos Humanos, com sua capacidade de articulação com os diversos órgãos e sedução do público, têm de ser linha de frente, estimulando, talvez, a aprovação de uma lei de responsabilidade com as crianças brasileiras. Na mesma linha, vale retomar um bom debate sobre o modelo urbano que temos no Brasil, onde, muitas vezes, os espaços (físicos) de sociabilidade são substituídos pela sanha imobiliária. Fundamental, porém, é que um pacto pela infância se constitua num grande pacto federativo no qual todos os entes se comprometam com metas e políticas específicas e articuladas, consolidando, assim, uma nova hegemonia. 

É muito importante que consideremos que o universo da cultura é o encontro de muitas éticas e estéticas, e isto, por si só, já deve nos estimular à busca de um ambiente mais libertário e disposto à superação de preconceitos: à negação, portanto, da cotidiana castração infantil. Para tanto, é preciso fazer com que nos multipliquemos por meio de buscas imaginativas, isto é, por meio de um diálogo que não se restrinja à mera conversação, mas se estabeleça quando tivemos algo a dizer, disposição a escutar e o respeito pelo dissenso. 

São muitas as infâncias: tantas quantas forem as idéias, práticas e discursos sobre elas. Assim, quando propomos que haja um Pacto pela Infância no Brasil, propomos que haja políticas públicas de audiovisual para a infância e que estas sejam ferramentas à disposição de uma nova lógica, na qual as infâncias brasileiras não sejam tratadas pelo Estado e pela sociedade como períodos de transição ou mero mercado consumidor, mas, na sua plenitude, exercitem a multiplicidade de idéias, práticas e discursos elaborados socialmente. Com este pacto, ao mesmo tempo em que implementaremos políticas e estimularemos novas práticas em torno das infâncias, estaremos conformando um campo a partir do qual se negociarão novos direitos, novos modos e novos territórios de ser infância.

Glauber Piva

11 de novembro de 2012

Política Cultural e as causas de nosso tempo

Certa vez, numa longa conversa com Marta Porto (isso já faz algum tempo) ela refletia sobre o vínculo da política cultural no Brasil com as causas do nosso tempo. Isso ficou me martelando as idéias. Num momento de reorganização das secretarias municipais de cultura após as eleições, eu me pergunto que compromissos os novos prefeitos (e secretários/as) empunham quando anunciam suas novas políticas para a cultura. Estariam eles preocupados em adotar estratégias que deem à cultura importância política, social e cultural?
Precisamos criar condições, desde cada cidade do país, de colocar a cultura dentro das estratégias de radicalização democrática do país e de consolidação de uma cidadania cultural para além de nossas belezas postais.
Depois de ler o meu post, Marta Porto me escreveu: 
É isso aí, Glauber Piva. Fica sempre a impressão que as políticas de cultura não conseguem se sintonizar com as causas de um tempo, sempre pautando centros onde ela não é central, ou que sugerem questões com cheiro de ultrapassadas. Deveríamos pautar a vanguarda do pensamento e não a retaguarda. Lembro dos intensos debates ibero-americanos nos fins dos 90 e início dos 2000 quando Espanha puxou a ideia da cultura como centro da economia e vários de nós latino-americanos, apesar de concordarmos com os bons resultados para o mercado, defendíamos que este nunca seria o centro, pois aí não somos essenciais. A crise veio, e o primeiro Ministério a ser extinto em Espanha e Portugal: Cultura. Outro ponto: nossas políticas são apenas respostas a demandas organizadas, aos "projetos culturais"? A população é sempre "público" ou é objeto e fim da política? Cultura e sustentabilidade, meio ambiente, educação, conhecimento, inovação, questões como da infância (que projetam uma visão de futuro para o país) e da ética, dos valores de convivência. Como nos envolvemos e contribuímos? Aumentar o volume de recursos para editais, ou promover campanhas de "criatividade" são respostas, ou apenas preguiça intelectual e gerencial? Estou indo para a Flupp... para mediar papo de Bosco e Luis Eduardo... quem sabe ideias nos inspirem... beijos

1 de novembro de 2012

Sorocaba pulsa e inventa seu avesso


As eleições sorocabanas deste ano demonstraram, desde o começo, uma vocação ao realismo fantástico. Ao final, além da definição de vitoriosos e derrotados, vimos uma cidade que expôs seus intestinos e pulmões ao sol. Após dois turnos, do choro da derrota e da festa da vitória, restou ainda possibilidade (já negada) do TSE cassar a candidatura do prefeito eleito.

Das eleições
Depois de meses de campanha e de muitos processos na justiça, corpo-a-corpo, bate-bocas, dribles e empurrões, Sorocaba elegeu 20 vereadores de 13 partidos diferentes e um prefeito apoiado pelo atual governo municipal.
A vitória de Pannunzio foi marcada pelo enfrentamento direto com Renato Amary.  No centro das ações vimos dois candidatos que não se suportam e grandes máquinas em franca operação.  Foi aí que os intestinos mais ficaram expostos. Não havia diferenças fundamentais entre os programas de governo, nem entre os compromissos de cada um com a sociedade, mas, sim, ódio e rancor entre eles e ambição de voltarem ao poder municipal: de um lado o criador Renato e seus dissidentes tucanos; de outro, a criatura Lippi, sua popularidade e seu candidato de última hora.
Pannunzio venceu e merece ser cumprimentado por isso, mas é preciso lembrar que sua candidatura teve percalços que insinuavam sua derrota. Não nos esqueçamos que até pouco antes do registro das candidaturas o PSDB não tinha definido seu candidato e o próprio Pannunzio dizia que esse não era o seu sonho e ele só seria candidato se houvesse uma decisão partidária. Além disso, vale lembrar do esforço do prefeito atual para alavancar sua candidatura, da licença que tirou para fazer campanha, dos recursos investidos, da presença do governador.
Se for verdade que não há eleição fácil, a disputa pelo Paço Municipal, além de difícil, foi das mais sangrentas, daquelas que perpetuam inimizades por três gerações. Agora, passada a dor do embate, o que se insinua fortemente é uma necessária renovação dos quadros e modos políticos na cidade.

Dos vereadores
Os números do novo legislativo municipal são provocativos. O fato de termos treze partidos em vinte vereadores denota a fragilidade do sistema eleitoral brasileiro. Observe-se que as duas maiores bancadas do novo legislativo, com três vereadores cada, são do PT e do PRP. O Partido dos Trabalhadores, apesar da expressiva vitória na capital e do ótimo desempenho em todo o país, em Sorocaba foi apenas o quarto colocado na eleição majoritária, tendo ficado atrás do PSOL. Mais surpreendente foi o desempenho do PRP - Partido Republicano Progressista - que foi, simplesmente (!), o partido mais votado na cidade.
Um sistema eleitoral que permite tal pulverização e arranjos eleitorais absolutamente distantes da compreensão do eleitor impede que ele perceba quais são as forças políticas e valores que se aglutinam em cada partido ou coligação.

Do envelhecimento das campanhas
Assim como na maioria das cidades do interior do Brasil, as campanhas para prefeito em Sorocaba foram campanhas antigas, alicerçadas sobre a velha mídia e desconectadas do que de importante vem acontecendo no mundo.
O Brasil passa por uma verdadeira revolução na qual a Internet permite ações colaborativas, reinvenção de modos de produção e acesso à cultura, diversificação de formas de comunicação e geração de uma multiplicidade de oportunidades de conhecimento que não podem mais ficar aprisionadas nos antigos modelos de emissão de informação. Com a Internet e seus usos, o cidadão e, portanto, o eleitor, reduz ainda mais uma possível passividade que poderia existir na sua relação com candidatos e partidos, o que abre uma imensidão de possibilidades de comunicação, debate de idéias, recepção de propostas e maneiras de jogar o jogo eleitoral. Todo este potencial foi subaproveitado nas eleições sorocabanas.
No geral, como já acontece há anos em Sorocaba, as campanhas se organizaram em torno de quatro pólos: distribuição de papel; cartazes de rua; contato pessoal com o eleitor; e uso da televisão e do rádio, sobretudo da televisão. É bastante óbvia a sua importância na sociedade brasileira e, conseqüentemente, em campanhas eleitorais. E, por esse tema ser tão evidente, não há muito que dizer sobre ele. Em Sorocaba cada candidato usou a TV com os recursos que conseguiu mobilizar e a ousadia que tinha no bolso. O que não é tão óbvio, porém, e isso é alarmante, é que muitos marketeiros políticos ainda não tenham se dado conta plenamente da força da Internet e da emersão de novos públicos e temas relevantes que ele proporciona.
Diferentemente da campanha de Fernando Haddad em São Paulo (que talvez seja o melhor e mais gritante exemplo), as principais campanhas em Sorocaba se limitaram a mobilizar seus apoiadores pelo Facebook e criaram um clima de guerra entre poucos que se reduziu a uma superficial efemeridade de ativismo. As campanhas não conseguiram produzir uma linguagem leve, dinâmica e plural para a internet que mobilizasse valores significativos para o público até 40 anos que está massivamente na Internet. 
Eu não tenho os dados demográficos de Sorocaba em mãos, mas imagino que a presença desse público na Internet seja, hoje, mais relevante que diante da televisão ou com os jornais nas mãos, ainda que o horário eleitoral gratuito tenha picos de audiência que não devam ser desprezados. Note-se que este público é, pelo menos, metade do eleitorado.

De medos e utopias
Todos nós sabemos que qualquer campanha ganha força quando consegue se conectar com os valores mais pulsantes da sociedade. Em geral, são essas campanhas que saem vitoriosas. Em Sorocaba isso não aconteceu. Não houve aquela sinergia em torno de temas que galvanizassem uma nova esperança. É forçoso reconhecer que isso aconteceu em São Paulo na campanha de Fernando Haddad. Ele mobilizou as principais forças de renovação da cidade a tal ponto que a frase de sua vitória foi “o futuro venceu”. Em Sorocaba, ao contrário, talvez se possa dizer que, por parte da população, o medo de perder o conquistado foi mais importante do que o desejo de alcançar mais ou de mudar de rota. Quando a cidade colocou Pannunzio e Amary no segundo turno demonstrou isso, independente de eventuais fragilidades de Raul Marcelo e Iara Bernardi. 
Os dois candidatos que foram ao segundo turno representavam a manutenção de certa aura de classe média que envolve a cidade como bruma no inverno. No nosso caso, o que temos são trabalhadores assalariados absolutamente alijados do núcleo econômico da sociedade, mas que assumiram o medo de perder sua condição de consumidores e também o sonho de consumir ainda mais. Como diz Marilena Chauí, a “classe média tende a ser um problema político sério porque, estando fora do núcleo econômico definidor do capitalismo, encontra-se também fora do núcleo do poder político”. Fragmentada, alimentada por um individualismo competitivo, sem um referencial social e econômico sólido, a classe média tende a alimentar o imaginário da ordem e da segurança porque, em decorrência de sua fragmentação e de sua instabilidade, seu imaginário é povoado por um sonho e por um pesadelo: “seu sonho é tornar-se parte da classe dominante; seu pesadelo é tornar-se proletária; para que o sonho se realize e o pesadelo não se concretize, é preciso ordem e segurança”.
Esse comportamento de classe média se constituiu como uma ideologia importante em Sorocaba e é o que lastreia a hegemonia conservadora que comanda a cidade há tantas décadas e embalou toda a campanha eleitoral em torno desse binômio sonho/pesadelo. Era preciso furar essa hegemonia, mas isso não aconteceu. O ideal de classe média faz com que parcela significativa da sociedade sorocabana seja reacionária e seu papel social e político seja o de assegurar a hegemonia ideológica da classe dominante, fazendo com que essa ideologia se naturalize e se espalhe. É sob esta perspectiva que se dá a formação da opinião social e política conservadora e reacionária na cidade.

Esse diagnóstico não ignora que Iara e Raul tentaram romper essa barreira ideológica, mas também identifica que ambas as candidaturas tiveram muitas dificuldades para mobilizar valores de renovação, de transformação, de mudança. Se Renato e Pannunzio apostaram na TV por ser, principalmente, um território seguro para eles, Iara e Raul pouco avançaram em outra direção. Tornaram-se prisioneiros da lógica, do enredo e da alegoria montados há anos por seus adversários e se confinaram em suas próprias campanhas envelhecidas.

Do PT
O PT foi o partido que mais perdeu nessas eleições municipais, mesmo tendo sido o partido que elegeu a maior bancada e que mais cresceu no legislativo. Ainda que identificado com as forças da renovação, perdeu o dinamismo do discurso e se desconectou do que a cidade produz de mais vivo: sua cultura, seu jeito de fazer as coisas, de se reinventar e de buscar transformações. Esta desconexão se materializou no resultado eleitoral e impõe ao partido a obrigação de uma séria reflexão. O PT em Sorocaba não conseguiu, nos últimos anos, manter a imagem de partido ligado e comprometido com os setores mais progressistas da cidade, embora muitos tenham sido os petistas em conexão com eles (notadamente no movimento sindical). Tanto isso é um fato que a campanha do PT também não conseguiu mobilizar sonhos, tendo ficado ela também enredada pela armadilha do binômio sonho/pesadelo que alimenta nossa aura de classe média.
Em Sorocaba, há certos setores bastante conectados com valores de transformação, como é o caso, por exemplo, dos estudantes, de intelectuais, de artistas e de lideranças religiosas que tendem a ser organizar e a se opor àquela hegemonia consumista e de busca competitiva de ascensão social que tem se entranhado em nós lenta e persistentemente. O problema é que nenhuma campanha eleitoral conseguiu ser a catalisadora dessas forças vivas de maneira inconteste, o que alimentou ainda mais a fragmentação delas.
É preciso aproveitar o imediato momento pós-eleitoral para identificar que, independente das eleições, um partido político com as características do PT precisa conectar-se (insisto nesse verbo para evidenciar seu caráter dinâmico e rizomático) à organização desses setores para que seu discurso esteja minimamente atualizado com o que a cidade produz de melhor, ainda que invisível para e pela velha mídia.

De cultura e comunicação
As transformações pelas quais Sorocaba precisa passar serão derivadas da percepção de que é necessário conjugar aqui dois elementos estruturadores das sociedades contemporâneas. Cultura e comunicação são os vetores necessários para que Sorocaba se permita encontrar o próprio avesso. Para isso, devem estar articulados entre si e em permanente diálogo com outros fluxos da energia da cidade, como educação, juventude, mulheres, negros, políticas para a infância e outros.
Mas, para isso, é preciso fazer perguntas. Estamos dispostos a decifrar, em Sorocaba, as formas de produção social da memória e do esquecimento, das experiências e dos valores que nos formam e alimentam cotidianamente? Estamos sensíveis ao surgimento de uma esperança racional de que dessas experiências e idéias, desses valores e obras surja um sentido libertário, com força para orientar novas práticas sociais e políticas? 
Considerando as transformações tecnológicas, econômicas e sociais pelas quais passamos, e também o conservadorismo que permanentemente tenta se cristalizar na cidade, a ação política tem de superar a plutocracia na qual estamos enredados e comprometer-se, de fato, com uma guinada democrática. Esse encontro entre cultura e comunicação deve ampliar o leque de atuação da militância política para novos públicos, novas práticas e novos valores, permitindo que essa perspectiva efetivamente democrática se constitua.
Isso não é pouco e vai muito além do debate formal de verbas, alianças e candidaturas. Este caminho aponta para a disputa dos rumos da cidade e, portanto, deve indicar o sentido que queremos dar ao futuro. Sorocaba precisa ser resignificada, ver emergir novas experiências e ver saltar à pele as veias por onde circulam seu enorme potencial criativo. Cultura e comunicação, sem a menor dúvida, podem ser promotoras dessa nova pulsação. Elas são a ventania articuladora dessa utopia que, por ser repleta de possibilidades, é totalmente factível.

Glauber Piva

24 de agosto de 2012

40 anos


A passagem do tempo
É força-bruta que esculpe finezas
Verga o rijo
Lambe o seco
Inibe frescores

Insistente
borda nas lacunas da vaidade
dores  alimentadas com habilidade
e risos longevos, francos e vagabundos

Enamorado da saudade
O tempo velhaco dissimula o que sabe
Meio cheio ou quase nada
É um tanto medido pelo olhar
Muito longe ou quase perto
É sabedoria preguiçosa inventada ao caminhar
Placenta, ferramenta ou bala de pimenta
São regalos que temperam a vida aos quarenta


17 de agosto de 2012

Palestra com o diretor da Ancine, Glauber Piva, sobre a Lei 12.485/2011, a chamada de Lei da TV Paga


Fonte: http://www.bacaroco.org/2012/08/16/palestra-com-o-diretor-da-ancine-glauber-piva-sobre-a-lei-12-4852011-a-chamada-de-lei-da-tv-paga/


Palestra imperdível
A convite da Academia Sorocabana de Fotografia , Cinema e Vídeo, o diretor da Ancine ,Glauber Piva estará em Sorocaba dia 17 agora, as 19h00 na Oficina Grande Otelo para falar da Lei 12.485/2011. a Lei da TV Paga… mais do que só interessar ao pessoal de vídeo, essa Lei na verdade beneficia todos os artistas, já que o audiovsual emprega desde o ator e o escritor até o fotografo,o iluminador, passando por figurinstas, maquiador artista plástico, músico e etc etc… para nós de Sorocaba [ e Votorantim e outras cidades próximas] é uma grande oportunidade para conhecer a Lei , tirar dúvidas e ver como podemos fazer para criar projetos.

8 de agosto de 2012

Produção de seriados de animação brasileiros se firma com 30 novos projetos em curso



Seriados animados infantis e adultos eram inexistentes há uma década


Cena da animação 'Historietas assombradas para crianças malcriadas' Foto: Divulgação
Cena da animação 'Historietas assombradas para crianças malcriadas'DIVULGAÇÃO
RIO — Considerada uma fantasia há dez anos, quando, pela primeira vez, foi tema de debate no festival Anima Mundi, a produção de séries de animação brasileiras para a TV hoje é uma realidade expressa por dez títulos no ar e cerca de 30 já em desenvolvimento para entrarem no ar até 2014. Do Pará ao Rio Grande do Sul, animadores antes restritos a curtas-metragens e à publicidade hoje investem sua mão de obra na criação de seriados, com temas variados, para crianças e adultos.
Não faltarão bichos falantes e seres mágicos como os monstros de "Historietas assombradas (para crianças malcriadas)", de Victor-Hugo Borges. Mas haverá também aventuras de entregadores de pizza — caso do baiano "Tio Mussarela", de Claudio Guido —, sitcoms onde homens tentam conquistar mulheres de 4 metros de altura — "As Grandonas", do paranaense Almir Correia —, e até uma versão de um clássico longa nacional, "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, cujo visual se inspira na arte do cartaz do filme.
— A demanda de animação para televisão paga hoje é muito maior que a direcionada ao cinema. Na linha de produção para televisão do Fundo Setorial do Audiovisual, 40% das obras apoiadas nos últimos três anos são de animação — diz Glauber Piva, diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), coordenadora das principais políticas de fomento para o setor.
Lei muda a rotina da TV a cabo
Com o apoio de emissoras como Cartoon Network, Discovery Kids e Nickelodeon, a explosão de projetos no formato pode dobrar a partir de setembro, quando começam a ser aplicadas na prática as regras da lei 12.485, sancionada há dez meses, cujo texto obriga canais por assinatura a exibir programas brasileiros através de cotas.
— A lei será mais um estímulo às séries animadas nacionais. Como existem hoje muitas modalidades de fomento, como o Fundo Setorial do Audiovisual, as ações do BNDES e os editais estaduais e municipais, saímos do zero para dezenas de projetos, possibilitando a criação de uma indústria — explica César Coelho, um dos diretores do Anima Mundi, cuja 20ª edição segue no Rio até domingo.
Coelho lembra que, até os anos 2000, a única produção seriada de animação nacional, ligada aos quadrinhos da "Turma da Mônica", era voltada para VHS e DVD e não tinha o volume de produção dos projetos atuais, discutidos ontem, numa palestra do Anima Mundi sobre a sustentação comercial de projetos brasileiros para TV. Envolvido na criação do seriado "Os elementos", que tem a matemática como foco, ele lembra que, em 2009, a estreia de "Peixonauta", no ar no Diskovery Kids, no SBT e na TV Cultura, abriu precedente para o boom atual.
— Na década de 1990, a gente já procurava as TVs. Mas por anos, nós, animadores brasileiros, incorremos num erro: levar a emissoras orçamentos que não podiam competir com a concorrência estrangeira — diz Kiko Mistrorigo, criador do "Peixonauta", com Celia Catunda. — Nossa série custa R$ 5 milhões. É um orçamento que só é viável se você não prende a uma só venda, fechada a um canal. "Peixonauta" hoje corre por 72 países. Em sua segunda temporada, a série é exibida em vários canais, numa mecânica que viabiliza o projeto, escalonando bem os contratos de exclusividade com as emissoras.
Em sua produtora, a TV Pinguim, Mistrorigo hoje se empenha na criação dos projetos "Luna chamando" e "Gemini 8". Ele explica que a mecânica responsável pelo aumento da produção veio da troca com produtores estrangeiros. O intercâmbio foi viabilizado por iniciativas da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV), como o RioContentMarket, feira da produção audiovisual, realizada em fevereiro. Destaca ainda o próprio Anima Mundi, que, na última década, fomentou debates sobre como o roteiro de séries animadas poderia se encaixar no padrão nacional de teledramaturgia.
— Por anos, o conteúdo da TV no Brasil foi prioritariamente produzido pelos próprios canais, que criaram estruturas internas para alimentar sua grade. A relação com a produção independente é a novidade — diz a gaúcha Marta Machado, da Otto Desenhos, que hoje produz a série "Boa noite, Martha", com direção de Vivian Altman, para a TV Cultura.
A movimentação na TV a cabo por causa da lei 12.485 também desperta o interesse das TVs abertas.
— Existe uma explosão de qualidade e quantidade na produção de séries animadas no Brasil que se encaixa na vocação de uma TV pública: estimular a produção independente — diz Berenice Mendes, de gerente de licenciamento da TV Brasil.
Em junho, a estreia de um novo canal infantil a cabo, o Gloob, abriu mais uma porta para os animadores, que já começam a produzir sob a comenda das emissoras pagas. É o caso de "O irmão do Jorel", criada para o Cartoon Netwoork por Juliano Enrico, do Espírito Santo, um dos polos menos conhecidos do cinema nacional.
Produtoras de longa em campo
Produtoras de longas blockbusters já investem no setor animado de séries. A Conspiração prepara "Terra Prometida", de Andrucha Waddington, sobre sobreviventes do nazismo refugiados no Brasil, e "Eu e Meu Guarda-Chuva", que Toni Vanzolini prepara a partir do longa de sua autoria. Já a LC Barreto faz dois projetos ecológicos, "Amazônia" e "Floresta da Tijuca".
— O gasto que eu teria filmando a história da Amazônia com atores, em locações reais, é muito menor na animação — explica Paula Barreto.
Ao emplacar na TV, uma série pode render a seus produtores mais do que audiência.
— Desde sua estreia, em 2010, "Meu AmigãoZão" já gerou mais de 150 produtos licenciados, entre bichos de pelúcia, mochilas e figurinhas — diz Andrés Lieban, cuja série é exibida no Canadá e na América Latina.
Preparando para lançar em setembro no Canal Brasil a série "Tosco TV", recuperando os personagens de seu curta "Deus é pai", o diretor Allan Sieber só espera que o boom das séries não esbarre na censura televisiva:
— Além de verbas, é preciso haver liberdade para a animação criar sem pisar em ovos.
Reportagem publicada no vespertino para tablet O GLOBO A MAIS

http://oglobo.globo.com/cultura/producao-de-seriados-de-animacao-brasileiros-se-firma-com-30-novos-projetos-em-curso-5502416#ixzz22xwPt8xi

2 de agosto de 2012

Governo vai liberar R$ 400 milhões para o Fundo Audiovisual da Ancine



 Publicado originalmente em 01/08/2012 no site www.telesintese.com.br

Dos mais de R$ 800 milhões repassados pelo Fistel (fundo sustentado pelas operadoras de telecomunicações) para o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) em março deste ano, como parte do acordo para a aprovação da lei do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado), ou a nova lei de TV paga, o governo já autorizou o uso de R$ 400 milhões, informou o diretor da Ancine, Glauber Piva. Conforme o conselheiro,  a agência já escolheu o BNDES e o BRDe (banco do Extremo Sul) como os agentes financeiros.


Ele informou que o decreto com o repasse dos recursos deverá ser publicado nos próximos dias e que agência está discutindo as áreas que serão apoiadas.

Conforme Piva, parte dos recursos do fundo,  estabelece a nova lei, deve ser aplicada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e a agência irá regulamentar esta questão de maneira a efetivamente estimular o sugerimento de produtores de conteúdo audiovisuais nestas regiões..

Além disso, pretende estimular a produção de vídeos de animação, auxiliar na capacitação de mão-de-obra, e estimular a coprodução internacional e a produção de roteiros. "As linhas a serem fomentadas ainda estão em debate pelo conselho da agência", explicou, mas assim que os recursos forem repassados para  o fundo, a agência promete agilidade no lançamento dos editais.

31 de julho de 2012

Audiovisual e desenvolvimento no território dos direitos



Publicado em 31-Jul-2012 originalmente no blog do Zé Dirceu.

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Glauber Piva
No final de 2011 o Congresso Nacional aprovou e a presidenta Dilma Roussef sancionou a Lei 12.485 – 11, que define o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) e estipula regras para sua exploração no Brasil. A lei atribui responsabilidades institucionais distintas para a sua aplicação. À Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) caberá regular a fiscalizar o assuntos concernentes à distribuição, enquanto produção, programação e empacotamento (organização dos pacotes de canais) ficarão no território da Agência Nacional de Cinema (ANCINE).

Uma das principais conseqüências da nova lei é a inserção de cotas de conteúdo nacional na programação dos canais de filmes, séries, videomusicais, programas de variedade e realities, garantindo espaço para os produtores independentes, ou seja, aqueles não vinculados a empresas distribuidoras e radiodifusoras. Cria-se também a garantia de espaço para canais de programadores brasileiros, inclusive também para os não vinculados às empresas distribuidoras e radiodifusoras, nos pacotes ofertados aos consumidores.

Do ponto de vista econômico, a Lei cria uma demanda efetiva para empresas brasileiras e aprofunda a parceria necessária entre os produtores independentes e a televisão, condição necessária para a estruturação desse setor. Uma economia do audiovisual forte e estruturada é fundamental para que o Brasil possa disputar espaço no ambiente globalizado das comunicações, que cresce em ritmo mais acelerado que outros setores, gera bons empregos, gera riqueza, e agrega valor à nossa política de exportação em geral, apoiando a colocação no exterior de outros produtos brasileiros.

Na sua dimensão cultural, a nova lei significa mais espaço para a diversidade de manifestações e de diferentes pontos de vista, trazendo para dentro da tela a complexidade e a riqueza simbólica que constituem a nossa Cultura. Além disso, a nova lei potencializa os instrumentos oficiais de fomento à produção audiovisual de todas as regiões do país, sobretudo por meio de um Fundo Setorial mais robusto, com cotas de aporte financeiro às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e com garantia de investimento às televisões comunitárias e universitárias que, sabidamente, mantém intensa relação com os produtores locais.

Vale ressaltar que o Fundo Setorial do Audiovisual, que vai se tornando o principal mecanismo de fomento para o setor, passará a distribuir no mínimo 30% de seus novos recursos para produtores daquelas três regiões e 10% para os conteúdos destinados às TVs comunitárias e universitárias. Some-se a isso a disposição da ANCINE, já demonstrada na prática, de criar mecanismos específicos para a região Sul e também para a produção audiovisual para a infância, animações e desenvolvimento de projetos.

A principal conquista que a nova lei do Serviço de Acesso Condicionado nos traz, no entanto, talvez esteja no quanto ela significa de avanço no território dos Direitos. Assim como acontece em diversos países pelo mundo, em especial na União Europeia, a exploração do serviço de televisão paga é entregue a empresas privadas, mas condicionada à regulamentação e fiscalização por parte dos agentes do Estado, o que valoriza e preserva o interesse público. Assim, são estabelecidos ou viabilizados, via um novo arranjo regulatório das comunicações, direitos culturais e do consumidor e oportunidades de negócio que, juntos, estimularão a sobrevivência e qualificação de agentes econômicos, o acesso e exibição de bens culturais produzidos num ambiente no qual a diversidade cultural e a liberdade de expressão sejam balizadoras e a montagem de um complexo de políticas públicas ancoradas.

Dessa forma, o que o Brasil está conquistando com a efetivação das novas regras para a TV paga é a ampliação e atualização do marco regulatório para as suas comunicações, passando a abranger diretamente a televisão paga, afirmando a dimensão pública desse serviço e evidenciando o papel do Estado como mediador dos interesses públicos e privados que, sem dúvida, devem coexistir nesse ambiente. Trata-se, ao mesmo tempo, de um começo e de um avanço, pois o Poder Público deve se tornar mais efetivo e presente em todos os segmentos da comunicação social no Brasil e buscar consolidar, junto à sociedade, a percepção de que este é um direito fundamental do cidadão.

A grande complexidade deste  desafio talvez seja o de, num ambiente de convergência de mídias e crescente presença de atores estrangeiros no mercado brasileiro, combinar de maneira adequada uma dupla responsabilidade: induzir o desenvolvimento constante e desconcentrado dos setores econômicos nacionais, ao mesmo tempo em que se promove e protege a diversidade cultural e a liberdade de expressão. Este caminho é claramente buscado na lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidenta Dilma, e também pelas instruções normativas da ANCINE.

Hoje, o que estamos construindo, é um ambiente no qual as comunicações brasileiras sejam importantes aliadas do desenvolvimento do país, não apenas entendido em sua dimensão econômica, mas, sobretudo, na combinação dos aspectos econômicos, culturais, regionais e sociais. Mais do que consumidores atentos ao bom cumprimento das novas regras, precisamos estimular que a cidadania brasileira se faça atenta ao cumprimento dos seus direitos, atuando junto ao Estado na fiscalização do cumprimento das cotas como parte da luta pela democratização das comunicações no Brasil.


Glauber Piva, sociólogo, é diretor da ANCINE, Agência Nacional do Cinema.


(Foto: Valter Campanato/ABr)

Glauber Piva no Canal Futura (Parte 03)


26 de julho de 2012

Apresentação no Siapar sobre a Lei 12.485/11


Publicado originalmente em http://www.avecpr.org.br no dia 21/07/2012. 



Siapar detalha nova regulamentação das TVs

Encontro mostrou as vantagens da lei diante da demanda de produção de conteúdos independentes nacionais
O Siapar, com o apoio da Ancine e Avec, reuniu-se no dia 12 de julho com cerca de 40 produtores paranaenses para debater a Lei 12485/2011 e seus impactos. A apresentação foi realizada pelo diretor da Ancine, Glauber Piva, e pelo assessor da mesma agência, Marcos Cordiolli.
O objetivo do encontro, que também vem ocorrendo em outros Estados, foi expor os principais pontos da lei, que trata sobre a regulamentação das TVs por assinatura e das cotas de produção independente nacional na programação. Segundo os profissionais da área, essa legislação trará benefícios aos produtores com o aumento da demanda de produção de conteúdo a fim de ocupar os horários disponíveis da nova grade.
Segundo o presidente do Siapar, Rodrigo Martins, é uma oportunidade para o fundo monetário audiovisual fomentar a cadeia produtiva. “A demanda gerada lembra que precisamos melhorar nossa competitividade. Esta foi apenas a primeira reunião de uma série de encontros que vamos realizar. Estamos investindo no sentido de criar condições para que o Estado se destaque”, explica.
Fonte: Siapar